Os Romanov : o fim da dinastia, Robert K. Massie

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Dossiê Romanov, vídeo 1

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Dossiê Romanov, vídeo 3

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Dossiê Romanov, vídeo 5

Dossiê Romanov, vídeo 6

Os Romanov: o fim da dinastia
Neste livro há um brilhante mas doloroso desdobramento dos últimos meses de vida da família Romanov. Esse período já foi trabalhado pelo Massie na obra monumental, a primeira que eu li, Nicolau & Aleksandra.
Mas neste aqui é como se Massie ainda não tivesse esgotado tudo o que sabe sobre todo o sofrimento que a família Romanov viveu nos diferentes cativeiros até sua brutal execução em julho de 1918. Eles ficaram presos por 16 meses.
Não sei se comentei com vocês que o Massie se interessou por essa história porque teve um filho hemofílico, assim como o Aleksei o filho de Nicolau.
Quero com esse livro denunciar o horror dos sovietes. Quero junto com Massie, denunciar o horror do que houve. Vamos dar nome aos bois. Não vamos comemorar a revolução russa porque não há nada a ser comemorado.
Com meus vídeos anteriores pretendi mostrar a simplicidade do casal Nicolau e Aleksandra e das 4 meninas e do Aleksei. Com as cartas deles, diários e outros documentos.

O triste é que foi por pouco. Apenas oito dias depois do massacre o exército branco tomou Ekaterinburg mas já era tarde demais para os Romanov.
Alguns oficiais buscaram inutilmente pela família, acharam apenas seus objetos pessoais e livros. Acharam rastros de sangue no piso e nos rodapés na casa de Ipatiev . Buracos de balas nas paredes. Em 1919, Kolchak, o chefe supremo do governo branco da Sibéria colocou um investigador jurídico de nome Nicolai Sokolov para se ocupar de descobrir os corpos. Na época a neve começava a derreter.
Na aérea próxima aos poços e aos 4 irmãos, acharam peças de roupas de Nicolau e o cadáver do cão de Alexei, ossos calcinados parcialmente dissolvidos em ácido, com marcas de balas de revólver e de machado.
Sokolov foi quem concluiu o destino da família com base no interrogatório dos carrascos e pela relato de testemunhas. Mas não deu tempo de descobrir muito mais, porque no verão de 1919, o exército vermelho retomou Ecaterimburgo e Sokolov guardou com respeito seus achados e os levou com ele quando atravessou a Sibéria chegou ao Pacífico e pegou um barco que o levou à Europa.
Só em 1924, suas conclusões vieram a público mas não se acreditava nelas porque não havia corpos que confirmassem sua reconstrução do assassinato.
E esse, segundo Massie, permaneceu como um dos maiores mistérios do século 20.

Aprovação de Moscou
Até um mês antes da execução ninguém sabia o que fazer com os romanov. Trotsky um comissário vermelho inflamado achava que Nicolau deveria ser julgado publicamente e o acontecimento deveria ser transmitido pela rádio em escala nacional. Ele trotsky seria o promotor.
Os sovietes tomaram Moscou e o governo passou a ser ali.
Lenin quis manter a família para usar como moeda de troca com a Alemanha já que o Kaiser era parente próximo da imperatriz Aleksandra.

A aproximação do exército branco apoiado pelos tchecos fez com que Lenin e outros líderes vermelhos apressassem o destino dos Romanov.
Sverdlov substituiu Trotsky que foi para o front. A guerra ainda acontecia. E ao encontrar com os sovietes responsáveis pelo Ural, Ekaterinburg (a capital vermelha dos Urais), deixou que a notícia de que os Romanov não valiam mais nada para o exército vermelho se espalhasse e que o comitê do Ural deveria decidir o que fazer com eles.
O comitê votou pela execução de todos e yurovsky recebeu ordens para fuzilá-los.
Lenin recebeu a notícia e cagou, continuou discutindo um artigo sobre um planejamento para a saúde.
Moscou manipulou a notícia do assassinato, Sverdlov divulgou que apenas ex-czar tinha sido assassinado porque tentará fugir e que Aleksandra e seus filhos estavam seguros.

A Mentira foi mantida pelo governo dos sovietes para o mundo todo durante os 8 anos que se seguiram.
Karl Radek e Georgy Chicherin chefes bolcheviques do comissariado do exterior mantiveram a mentira e negociaram com a Alemanha a libertação de presos políticos em troca da família imperial.
Enquanto a Alemanha permanecia iludida pelos ilustres bolcheviques, a Inglaterra já havia recebido notícias mais firmes sobre a provável morte de toda a família, executada junto com Nicolau II. Só em 1924, Sokolov morando em Paris publicou seus achados, ele era do exército branco e junto com os tutores de Aleksei foi aos 4 irmãos e a casa de ipatiev, ao local do Crime e da terrível desova e maculação dos corpos das moças e suas conclusões num livro chamado “inquérito judicial sobre o assassinato da família imperial russa” (Nicolau Sokolov).

 

https://www.publico.pt/2009/03/11/ciencia/noticia/misterio-da-familia-real-russa-finalmente-esclarecido-1368808

 

Vamos então ao processo de descoberta dos corpos que só se tornou possível pelo encontro de dois homens incríveis. O geólogo Aleksander Avdonin e Geli Ryabov, que nasceu e viveu no Ural, que escutou muito do folclore em torno da família romanov. Ele que visitou a casa de Ipatiev antes da sua demolição por ordem do governo já que a área estava ameaçando se tornar um local de peregrinação, todos que gostavam dos Romanov queriam ir até lá. E o cineasta Geli Ryabov que estava produzindo um filme sobre a polícia civil soviética ou milícia ( que tratava de crimes não políticos diferentemente da KGB).
Em 1976, 50 anos depois, Ryabov visitou a casa de Ipatiev, convenceu os guardas a deixá-lo descer ao porão e depois ele afirma que:

Sabem que eu me sinto um pouco assim com relação aos Romanov? Inexplicavelmente eu sinto uma tremenda vontade de saber o que aconteceu, de refazer a história para libertar a memória e a história desse mistério tortuoso.
Mas como esses 2 caras se encontraram?
Visitando o local e perguntando aqui e ali, Ryabov que era um homem famoso em Moscou, chegou a Avdonin, por indicação do chefe da MVD, e unindo o conhecimento do geólogo e sua própria paixão e o passaporte que ele tinha no poder.

Avdonin disse que estava incrédulo quanto à probabilidade de encontrar algo na região sobretudo porque a casa tinha acabado de ser demolida.
Avdonin tinha medo de se envolver nas investigações e se complicar com a KGB, ele tinha mulher e 2 filhos. Como Ryabov trabalhava para o ministro do interior, Sholokhov, disse que sempre daria cobertura a Avdonin. E aí tudo fluiu que foi uma beleza!
Ryabov e Avdonin tiveram acesso a arquivos secretos com livros e material proibidos e um deles era o livro de Nicolai Sokolov publicado em Paris em 1924:

Avdonin e Ryabov também leram o livro de Pavel Bykov encomendado por Stálin e que era em sua boa parte uma cópia do inquérito de Sokolov. Ele assumia que todos os romanov haviam sido assassinados junto com Nicolau II e querendo desconversar tergiversando sobre o destino dos corpos acabou dando uma pista que ainda não fora seguida.
Sua narrativa induziu os investigadores a acreditarem que os corpos teriam sido levados dali, da área dos 4 irmãos para um outro lugar.
Mas onde?
O livro de Sokolov também continha fotos é uma delas mostrava uma ponte que dava para uma estrada de Koptyaki, próxima à uma ferrovia.
Um dos operadores da ferrovia disse que homens em um caminhão pediram ajuda para desatolar o veículo, 2 dias após as execuções. Com a ajuda Refizeram a ponte e o caminhão seguiu de volta pra Ekaterinburg.
Mas eles viram nesse relato uma inconsistência! Porque se passaram 4 horas desde o momento em que o caminhão teve a ajuda dos funcionários da ferrovia e a chegada na garagem da casa de Ipatiev.
E a viagem de um lugar a outro era de mais ou menos 30 minutos. Por que tanta demora? Por que o caminhão estava ali por tanto tempo?
Engraçado que mesmo sem ter entendido a informação escondida ali, o texto de Sokolov transmitiu isso que foi lido e interpretada por Avdonin e Ryabov, 50 anos depois.
Avdonin decidiu ir até essa ponte e foi acompanhado por Michael Kachurov um outro geólogo seu amigo.
Não havia mais nada ali, 60 anos depois. Eles estavam em 1978 e tudo tinha se passado em 1918.
Subindo numa árvore Kachurov avistou do alto uma estrada uma área mais baixa perto do campo de porosyonk (dos porcos).
Desenvolveram um instrumento com um cano de aço afiado para colher amostras que parecia um “grande saca-rolhas” e eles caminharam pela estrada perfurando o solo com o cano de aço até que identificaram algo mole como madeira. E souberam que ali era o local.
Enquanto isso em Moscou Ryabov fazia a maior descoberta de todas. Ele conseguiu localizar o filho de Yakov Yurovsky, o chefe dos assassinos.

O filho de yurovsky entregou ao cineasta uma cópia do relatório de seu pai que tinha ido para os arquivos secretos do governo. Movido pelo arrependimento pela terrível participação de seu pai naquela tragédia da história da Rússia da vida de seu pai.
O relatório é difícil de ler. Massie colocou alguns trechos aqui mas a leitura é nauseante. A descrição do relatório é precisa, detalhado e horrenda.
E o que ela informa é que os corpos tinham sido colocados nos poços perto da área dos 4 irmãos mas como o exército branco se aproximava de Ekaterinburg e os homens de Ermakov estavam espalhando histórias pela região sobre os corpos da família, yurovsky decidiu pedir ajuda de outros homens para retirar os corpos dos poços e enterrá-los na floresta. Acharam um local e levaram os corpos. Queimaram os corpos de Aleksei e da dama de companhia de Aleksandra achando que era o corpo da imperatriz. Para os outros fizeram uma grande cova de 2m de profundidade ensoparam os corpos com gasolina e mais ácido sulfúrico para que não pudessem mais ser identificados. Cobriram tudo com madeira e folhagem. Foi essa madeira que Avdonin e Kachurov os geólogos acharam com seu instrumento afiado de aço.
Yurovsky matou mas teve um trabalho do cão para se livrar dos corpos para desfigura-los. Tudo parecia dar errado. Caminhão atolado, ponte destruída. Ele levou cerca de 12 horas para se livrar da família. E detalhou tudo no seu relatório, colocando inclusive as coordenadas do local onde estavam os corpos.

Contudo apesar da descoberta, precisaram esperar até a primavera de 1979, o ano seguinte para começar as buscas propriamente.
Avdonin teve muito receio de ter problemas e temos pela segurança da esposa e dos amigos. Tanto que Kachurov nunca veio a conhecer Ryabov. Avdonin só revelou o nome dos colaboradores no dia da operação em que o local seria escavado. Tamanho era o clima de medo, de desconfiança de pavor de ser descoberto e cair nas garras da KGB.

Ok. 3 crânios descobertos e agora?
O que fazer com eles?

Quando eu leio o Massie eu me sinto um viajante que nunca acaba de fazer a mala, que sempre acha algo importante para levar consigo.
São tantas as informações que ele nos dá que nos faltam braços na memória para guardar tudo! E tudo o que é dito parece tão raro, tão extraordinário! Tudo é relíquia, tudo é um achado! Tudo deve ser sabido e absorvido.

Eu me sinto um viajante também por outra razão!

Porque eu passeio pelos séculos como quem passeia por uma galeria de arte.
Vejamos como exemplo. No meio da bagunça do DNA celular e do DNA mitocondrial, não porque ele se expresse de forma desorganizada! Não! Pelo contrário, sua escrita é na medida, é um conta-gotas preciso. Não há palavras sobrando.
Mas há reviravoltas de estilo. No meio da disputa entre dois grupos americanos pela tese da mutação na sequência de DNA de Nicolau se encerra um capítulo e em seguida, o próximo, traz Pedro, o Grande, em seu cavalo, abrindo o caminho da modernidade e dos avanços para a Rússia. Fundando São Petersburgo e Ekaterinburg em homenagem à sua segundo esposa, Catarina I. Massie se sente à vontade com esses saltos no tempo e com isso temos ideia do peso, da importância dos Romanov e da falta de esplendor, de brilho da Rússia desmembrada, em 1989, com um governo enfraquecido, com um presidente temeroso, sobrevivendo a golpes da velha guarda comunista. E Ekaterinburg regateando o micro poder “daquela cidade que detém o destino e a posse dos ossos dos Romanov” (Massie, 1995, versão eletrônica).
Agora, na nossa história, todo esse processo de reconhecimento da identidade real dos ossos, é substituído pelo processo criminal. Presidido por Soloviev, um advogado especialista em investigação de assassinatos, sobretudo a bordo de vagões de trem, e outros crimes violentos. Foi supervisor do laboratório do departamento de Criminologia. Como tinha familiaridade com os arquivos do estado da federação russa, ele auxiliou as investigações sobre os Romanov. E foi aí que ele se apaixonou pela história.

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