Umidade. Lama. Intestinos agitados. Outubro, um mês de tormento e de chuva. E uma longa espera para um Coronel.

o livro começa com um frio chuvoso de outubro e com as tripas inquietas do Coronel. As idas ao correio todas as sextas-feiras. O bolso vazio. A casa também se esvaziando com a venda dos objetos, as paredes hipotecadas e … 1 galo.

O galo de Augustín, o filho morto por um soldado numa rinha, é a descendência simbólica do Coronel e de sua esposa.

Navegando entre a lama atual e o passado, o livro é enxuto e se assemelha a uma enumeração perfeita de títulos, de palavras que vão costurando a história e refazendo-a diante dos nossos olhos.

O escritor colombiano, Gabriel García Márquez, nasceu em 1928, em Aracataca. Esse nome, tão eufônico, agradável aos ouvidos, sempre foi para mim, desde a minha infância, um sinônimo do maravilhoso e do fantástico. Eu me lembro de minhas tias conversando sobre os livros dele, sobre os volumes nas estantes da casa da minha avó.

Todas as mulheres da minha família pareciam me dizer que eu tinha que ler Gabriel Garcia Márquez e eu deveria começar pelo “Cem anos de solidão”, que contava a saga de uma família em uma cidade mágica: Macondo.

Mas fosse por preguiça ou esperteza, escolhi este volume fininho “Ninguém escreve ao Coronel” para me certificar de que valia a pena mesmo ler aquele tijolão. E eu então me apaixonei pela escrita, pela aspereza, pela rudeza, pela paixão e pelo carinho com que ele faz cada página transbordar como se fosse a última da história. Ele é a prova de que o escritor tem que fazer cada página valer a pena, como se ela fosse a única, a primeira e a última.

García Márquez ganhou o Nobel de literatura em 1982 mas “ O Coronel” foi escrito em 1957, em Paris, quando seu autor tinha só 29 anos. A publicação só se deu em 1961.

 

 

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